O relógio do mundo

"Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor.
Estão dando corda ao relógio do mundo."

(Mário Quintana)

Dizem que todo poeta sente as coisas um pouquinho a mais do que todo mundo. É como se eles tivessem essa habilidade sensorial de perceber o lado mais colorido de tudo - das cores, dos toques, dos cheiros -  e sair traduzindo por aí em palavras que a gente nem sempre entende.

Com Mário Quintana não foi diferente. E ele foi muito esperto quando disse essa frase aí em cima. Ele sabia que o amor move o mundo e que, quando dois sortudos o dividem, entregam pra vida um propósito bem maior do que simplesmente "existir". Ele sabia (mesmo colocando a própria profissão em risco), que quando uma pessoa ama, também descobre como fazer poesia. Mesmo que seja uma em branco, sem palavra nenhuma, já que o amor é cheio dessas coisas não-ditas.

O que o Mário (que Mário?) não sabia é que amor não tem nada a ver com relógios. Porque amor movimenta as coisas, dá força pra elas, mas não tem nada a ver com o tempo. Isso quem faz é a saudade. O único jeito de achar amor num relógio é olhando os ponteiros:  por mais que o tempo faça os dois darem voltas, eles sempre vão se esbarrar um no outro. Sempre.

E só acredita no sempre quem acredita no resto. No amor, nas cores, nos toques, no movimento e nos ponteiros dos relógios. Eu, por algum motivo, resolvi ser uma dessas pessoas. Não virei poeta, mas resolvi abusar dos 5 sentidos que me deram. E isso nem sempre deu certo, porque o amor não gosta de gente que insiste. Ele gosta de gente que espera.
Aí eu esperei.
E esperei.
Até que o meu ponteiro se esbarrou no seu.

Eu podia explicar o que aconteceu a partir daí falando de um dia de sol, da risada de um bebê, de uma paisagem colorida ou de um relógio ganhando corda. Mas eu prefiro explicar falando da gente. Do jeito confortável que a gente passou a experimentar a vida desde que um segurou o mão do outro pra seguir viagem. Do sorriso seguro que o futuro mostra pra gente, porque quando ele aparece pra nós ele só fala de certezas. Da sensação de ter super-poderes só por constatar que, com 7 bilhões de pessoas no mundo, eu é que consigo te fazer feliz. Da paz que, mesmo sendo paz, surge fazendo barulho, provocando risada e dançando com a gente todo dia pela casa. Da cosquinha que eu sinto no meu coração por te escrever tudo isso, como se fosse meu dever, minha obrigação, fazer você também perceber que a gente é capaz de fazer tanta coisa bonita.

Porque a gente sabe fazer família. A gente sabe fazer sol em dia nublado. A gente sabe pegar um problema, dobrar e transformar em origami, pegar uma briga e transformar em curativo, pegar a mais tranquila das rotinas e transformar em movimento. Não importa pra onde, porque a gente vai junto. Não importa o sentido porque os meios nunca justificaram o fim. Aliás, pra quem acredita em pra sempre, não faz sentido nenhum acreditar no fim. E eu acredito na frase do relógio, no amor e na corda.

Eu acredito em nós dois mais do que tudo no mundo.
E ninguém no mundo vai fazer esse relógio parar.


Há dois meses, como todos esses momentos únicos que a gente vive, eu e o Di estávamos passeando por Paris. Por sorte, nosso aniversário de namoro caiu bem enquanto estávamos lá, e como felicidade pouca é bobagem, resolvemos comemorar em um restaurante dentro da Torre Eiffel. Se eu achava que sabia o que era frio na barriga, estava enganada. E se eu achava que já estava tendo o momento mais incrível da minha vida, também me enganei. Foi depois do jantar que paramos na frente da torre, pra assistí-la piscando. E tudo o que eu assisti foi o homem da minha vida se ajoelhar na minha frente e perguntar, do jeito mais carinhoso do mundo, se eu aceitava me casar com ele.
Acho mesmo que amor de verdade só existe pra quem acredita nele. E quando ele resolve existir, se prepara que ele vem com tudo.

10 comentários:

Luana disse...

ChoreY... Lindos <3

Anônimo disse...

Faltou o ar aqui. Lindo demais.

Alê Ferreira disse...

ESTOU CHORANDO MILENA, AI QUE LINDOOOOO!!! <33333

Léo Bosso disse...

O poeta sabe que os 5 sentidos são infinitos e você sabe que o amor tem 5 sentidos! Muito bom!

Fernanda Sabaudo disse...

awww que lindo Mii! <3 Estou muuito feliz por você!! :)
Bjs! :)

Aryane Falcão disse...

Milena, você é merecedora do mais lindo conto de fadas. Cada letrinha que escrevo é sincera, espero que você seja muito feliz. Beijos de sua nova fã :)

Anônimo disse...

LINDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Aryane Falcão disse...

Saudades dos seus Posts...

Bjão :*

Brunno Lopez disse...

Uma descrição sublime.
Essa frase do Mário é incrível.
Não existe o que escrever aqui, apenas ler e desejar que todas as pessoas do mundo consigam dividir tanta felicidade com outra pessoa que queira a mesma coisa.

Mago Verde disse...

Amor assim que sempre sonhei, demais! parabéns!

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