"Os míopes que me perdoem, mas quem vê de longe vê muito melhor".
Falar que em algum momento da vida eu defenderia uma coisa como a distância parece até absurdo. Porque eu odeio distância. Desde que, há 2 anos, deixei minha família em Florianópolis, distância é coisa lembrada todos os dias. Talvez eu nem ligasse, mas o problema é que ela lembra saudade. Saudade braba, daquelas de doer. Hoje dói menos, porque eu não estou mais sozinha. Eu já não moro mais sozinha, e isso faz diferença em tudo. Mas quando paro pra pensar que já existe a estabilidade e que finalmente o coração pode descansar tranquilo, vêm 700 km gritar que não. Não pode. Que não tem como ser estável quando te falta uma perna. Como se eu tivesse deixado um pedaço pra trás. Como se agora, de longe, eu tivesse que me recompor. Uma nova Milena readaptada a novas circunstâncias, que não incluem desde as regalias como almoço prontinho na mesa, aos apoios emocionais no cômodo ao lado.
É todo um incômodo chato, tipo etiqueta de camiseta, tipo sapato apertado. Ninguém vê, mas você sabe que tá doendo. Você sorri e faz a moderna, porque tudo isso é invalidado pelos exemplos dos outros. Fulano veio de Manaus e não vê o pai há 6 meses, fulana mudou de país e só abraça a família por foto. É normal que seja difícil. Aconteceria cedo ou tarde e, de verdade, ando extremamente feliz vivendo aqui. Eu só acho um pouco chato não saber se o cabelo da minha irmã anda curto ou no ombro. Um pouco chato não ver novela do lado da mãe ou ouvir o pai aumentando o volume do Elvis. Um pouco chato ter virado a louca da carência, que precisa constantemente de certezas pra entender que está tudo bem. Distância tem limite.
Mas mesmo quando o telefonema dói, e mesmo quando arrumar a mala vira a atividade preferida, vem aquela velha mania de achar moral na história; e de repente eu penso que, no fim, tudo está onde deveria. No meio de um check-in e outro eu acabo encontrando perfeição no caos. Escola é chata, mas a gente aprende. Remédio dói, mas a gente cura. Distância machuca, mas também aproxima. E qual seria a beleza da vida se eu não pudesse ouvir que a minha mãe comprou flores só pra me receber? O que poderia ser mais bonito do que pegar a relação difícil que sempre tive com o meu pai e hoje ouvir ele ligando "só porque sentiu falta de ouvir minha voz"?
Quem um dia subestimou a saudade provavelmente não fazia ideia do que é gostar alguém. E também nunca soube como é sentir esperado, amado, valorizado. Assim, acima do tamanho da estrada, do corte de cabelo ou das importâncias do mundo. Se em Floripa eu deixei um pedaço, hoje tem mais três corações funcionando aqui dentro. Com todas as circunstâncias que hoje me dão saudade, mas também entregam o melhor abraço de todos no fim de todos os dias. Aquela coisa de uma família nova, e igualmente linda, sendo criada aos pouquinhos. Coisa que só quem teve amor um dia pode construir. O tipo de lugar que só quem tem pra onde voltar sabe ir.
Hoje eu vou dar um pulinho lá em casa. A primeira delas.
Falar que em algum momento da vida eu defenderia uma coisa como a distância parece até absurdo. Porque eu odeio distância. Desde que, há 2 anos, deixei minha família em Florianópolis, distância é coisa lembrada todos os dias. Talvez eu nem ligasse, mas o problema é que ela lembra saudade. Saudade braba, daquelas de doer. Hoje dói menos, porque eu não estou mais sozinha. Eu já não moro mais sozinha, e isso faz diferença em tudo. Mas quando paro pra pensar que já existe a estabilidade e que finalmente o coração pode descansar tranquilo, vêm 700 km gritar que não. Não pode. Que não tem como ser estável quando te falta uma perna. Como se eu tivesse deixado um pedaço pra trás. Como se agora, de longe, eu tivesse que me recompor. Uma nova Milena readaptada a novas circunstâncias, que não incluem desde as regalias como almoço prontinho na mesa, aos apoios emocionais no cômodo ao lado.
É todo um incômodo chato, tipo etiqueta de camiseta, tipo sapato apertado. Ninguém vê, mas você sabe que tá doendo. Você sorri e faz a moderna, porque tudo isso é invalidado pelos exemplos dos outros. Fulano veio de Manaus e não vê o pai há 6 meses, fulana mudou de país e só abraça a família por foto. É normal que seja difícil. Aconteceria cedo ou tarde e, de verdade, ando extremamente feliz vivendo aqui. Eu só acho um pouco chato não saber se o cabelo da minha irmã anda curto ou no ombro. Um pouco chato não ver novela do lado da mãe ou ouvir o pai aumentando o volume do Elvis. Um pouco chato ter virado a louca da carência, que precisa constantemente de certezas pra entender que está tudo bem. Distância tem limite.
Mas mesmo quando o telefonema dói, e mesmo quando arrumar a mala vira a atividade preferida, vem aquela velha mania de achar moral na história; e de repente eu penso que, no fim, tudo está onde deveria. No meio de um check-in e outro eu acabo encontrando perfeição no caos. Escola é chata, mas a gente aprende. Remédio dói, mas a gente cura. Distância machuca, mas também aproxima. E qual seria a beleza da vida se eu não pudesse ouvir que a minha mãe comprou flores só pra me receber? O que poderia ser mais bonito do que pegar a relação difícil que sempre tive com o meu pai e hoje ouvir ele ligando "só porque sentiu falta de ouvir minha voz"?
Quem um dia subestimou a saudade provavelmente não fazia ideia do que é gostar alguém. E também nunca soube como é sentir esperado, amado, valorizado. Assim, acima do tamanho da estrada, do corte de cabelo ou das importâncias do mundo. Se em Floripa eu deixei um pedaço, hoje tem mais três corações funcionando aqui dentro. Com todas as circunstâncias que hoje me dão saudade, mas também entregam o melhor abraço de todos no fim de todos os dias. Aquela coisa de uma família nova, e igualmente linda, sendo criada aos pouquinhos. Coisa que só quem teve amor um dia pode construir. O tipo de lugar que só quem tem pra onde voltar sabe ir.
Hoje eu vou dar um pulinho lá em casa. A primeira delas.

11 comentários:
<3 Eu, fazendo minha malinha pra deixar o RS e ir morar no Mato Grosso do Sul sozinha, me encho de alegria lendo aqui. Obrigada, Mi!
Adoro teus textos. Talvez o longe seja logo ali.
Mi, adorei ler seu texto e não pude deixar de me sentir um pouquinho nele.
Além de saber escrever você sabe viver!
Boa sorte na cada nova! :)
Beijos
Lu
Não dá nem pra opinar. Tá tudo escrito aí. Penso e sinto tudo isso aí de forma muito semelhante.
Por isso que eu sou seu fã desde muito tempo. Só não vale você ficar milionária primeiro do que eu. Rs...
Um abraço minha querida.
"Coisa que só quem teve amor um dia pode construir. O tipo de lugar que só quem tem pra onde voltar sabe ir."
Esse foi meu pedacinho preferido desse texto tão lindo, irmãn. Fico feliz em ver o tanto de coisa boa que tem acontecido na sua vida desde que você foi pra SP. Tenho muito orgulho da "gente grande" feliz, madura e realizada que você é.
Beijo
Por essas e outras que eu acredito violentamente que a independência é a coisa mais sensacional que existe. É sexy, é potencial, é um mundo dentro de um mundo de possibilidades.
Saudade vem num outro patamar, é algo que está no pacote de conquistas ainda maiores.
Talvez o ser humano se acostume com tudo e se acomode com esse mesmo tudo, mas, quem busca mais?
Enfim, realização e crecimento são frutos de uma árvore chamada 'Arrisque'. Muitos plantam e não sabem cuidar. Outros são cuidadosos e prosperam. E outros, nem sabem escolher as tais sementes.
(Que espaço agradável e estimulante para se encontrar numa terça-feira)
Adorei o texto,ele é lindo.
Oi estou seguindo.Segue:
http://terminal-nanda.blogspot.com
Bjoooo
E eu aqui do outro lado do mundo me encaixando em cada palavra.
=)
Não importa quantos anos passem.
Sempre que aqui eu passo, tenho vontade de ficar e ler tudo de novo.
vc voltooooou!! ameiiiii!
Me emocionei com o seu texto. Parabéns!
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