Morar sozinha requer habilidade. Principalmente na arte de contar histórias. Quando vou dizer pra alguém – geralmente desconhecido – que estou no meio da selva e morando HOME ALONE, viro o próprio sobrevivente de guerra e conto tudo morrendo de orgulho. Pra mim é como falar que lutei, sofri o diabo e hoje tamos aí: na tranquilidade, rindo da vida e exibindo cicatriz como troféu.Dito isso, enquanto tem gente que acredita ser uma GRANDE BRAVURA eu ficar longe da família e me jogar na paulicéia, há os que cagam pra minha grande vitória, afinal, todo mundo taí cheio de problema e morar sozinha tá longe de ser um grande desafio na vida. Fato.
O que eles não sabem é que, se eu estou vivendo allbymyself há 5 meses, 4 deles representaram apenas uma coisa: perrengue. Ora nunca vi vantagem nesse negócio de solidão. Nunca cogitei não poder contar com estabilidade familiar no quarto ao lado. Sempre fui SIM, a menina mimada que teve tudo na mão - menos dinheiro. Então óbvio que quebrei a cara quando percebi que ganhar no resta-um era BEM MAIS tenso do que eu previa.
Eu morava em uma das cidades mais lindas do Brasil. Com meus pais, meus amigos, praia e tranquilidade. E vim pra São Paulo.
Pra não me achar burra, tento pensar que tenho coragem.
Penso tanto, que hoje já acredito. Porque jogar tudo pro alto, pular de estado e abraçar dona saudade só pra pagar aluguel e progredir profissionalmente pode ter parecido um impulso maluco no início, mas hoje já compensa: no aprendizado, na independência e no drama, que agora tá aí pra virar piada. Ou seja, se foi impulso, só pode ter sido pra frente.
Obviamente, não há prazer algum em pagar contas. Nem em constatar que fogão e você não nasceram para o convívio. Pior ainda é ficar carente às vezes e só contar com a visita do delivery. MAS QUAL NÃO É A BELEZA de fazer tudo na hora e do jeito que bem entender? Cresci e tô ainda brincando de boneca no sentido mais real da coisa. A diferença é que agora la muñequita soy yo.
É divertido, mas é difícil. Se o coração aqui é mole, a cidade é de pedra. E enquanto mnha necessidade de mutualismo grita, as regras daqui só me provam que bacana mesmo é ser um robô. E viver como essa gentarada cinza que tem rios de inteligência, mas ainda não sabe somar 1+1. Eu continuo dando a cara à tapa e levando socos. Mas agora já faço pagar a língua quem um dia disse que é impossível ser feliz sozinho.
Já passei muito perrengue, mas tudo passa. E em SP passa mais rápido ainda. Em junho, fiz 1 ano morando aqui. Hoje, faço 1 ano na ID\TBWA, agência onde trabalho. Tanto aniversário e o único brigadeiro que vi foi num nome de avenida. As palmas, são pra acordar. O bolo, eu mesma fiz e comi.
Há 1 ano atrás, eu tinha uma visão completamente diferente de tudo e de mim. Hoje, já são 5 sentidos ativos, e eu ainda mais.
16 comentários:
Pensamos muito que temos de provar aos outros quem realmente somos, o que realmente queremos e que somos crescidos e auto-suficientes.
Mas a verdade está quando percebemos que temos de provar isso apenas para nós mesmos.
Parabéns pela coragem, pelo texto e por conseguir vislumbrar esse mundão que tem pela frente (encoberto por prédios enormes e muitos carros).
Amiga vc é uma vencedora. Está conseguindo aos poucos, tudo que sonhou e com certeza ainda vai conquistar MUITO mais. Te amo demais. Vou sempre torcer por você, e estarei ao seu lado eternamente. Bjssss
saudade de ler você, mudada ou não :)
Que delícia ter texto novo seu para lêr!!!
Milena você sabe que te admiro muito apesar de só conhecer o que você escreve e não você de fato.
Admiro sua coragem, sua determinação e fico muito feliz com sua vitória.
Bjos
Ano que vem farei exatamente o mesmo que você. Me dá um frio na barriga, sei que vai doer, mas sei que vou exibir as cicatrizes tão orgulhosa como você. Só quem vive entende... Claro que existem problemas maiores, sempre existem! Mas sabe o "Deus dá o frio conforme o cobertor"? Então! Isso é o que enfrentamos, foi difícil e tem mais é que se orgulhar!
Engraçado você achar seus textos antigos ruins... Nesses mais recentes... Vi a mesma Mika! =D A mesma essência, a mesma doçura... "Skin has gotten thicker, but it burns the same".
Os seus textos NUNCA foram ruins... Me tocaram em momentos que estava passando e eram como a exata descrição do que eu sentia. Sentimentos em palavras, você traduz em letras, como se fosse fácil... Você tem o dom... Não adianta!
Por isso, não tenha "vergonha" da "menina" que você era antes dessa vivência... Você é uma pessoa muito admirada! Só está provando isso para você mesma... O mundo está mostrando a você mesma o seu real (enorme) valor.
Ah... A paixão por elefantes é recente? Não sabia dessa!
Beijos da Cerejinha
(lembra, né?)
Nem há muito o que dizer, seu texto diz tudo. ünica coisa que cabaria mudando aqui seria a forma de falar.
Estais certa, e acho que pelo menos acabo vivendo o mesmo. Sentimentos iguais em uma realidade um pouco diferente, é claro.
Pois, no fim, o que mais angustia não é o perengue, falta de dinheiro, e por ai vai... Mas sim toda a grande falta de sensibilidade e amor que a luta pelo dinheiro gera.
Enfim... O que vale mesmo é aquele sentimento que dinheiro não compra e nem produz, no máximo, potencializa...
Bjs
Oba! O blog tá de volta!
Saudade desses escritos!
Daqui um ano é provável que esse mesmo texto te soe ridículo, pois já terá passado por tantas outras coisas... Mas agora ele é real pra você, né? Então desencana com essa preocupação de não gostar do que escreveu antes no blog, pois era você, era real. Só não é atual. =)
Mi, você sabe que sou sua fã! Espero que possa postar com certa frequência. hehe
E, se possível, dá uma ida no blog da minha mãe (http://saborgroselha.blogspot.com/), que tá com uns textos ótimos! (Se quiser divulgar no teu twitter, melhor ainda!) E se não for pedir muito, deixa um comentariozinho por lá. Ela vai ficar felizinha! =)
Beijos, menina bonita!
Pra variar estou sem palavras,ou melhor dizendo,tenho elas sim,mas não consigo concatena-las de modo a fazer algum sentido pra vc,é que minha emoção sempre foi meio a flor da pele ,mas lendo seu blog novamente depois de muito tempo,percebi que a essência era a mesma,vc,sua verdade,sua versão da incrivel historia que é sua vida,claro que as pessoas mudam,mas mudam pq crescem,amadurecem e expandem a visão,so tenho a dizer que foi muito bom 'retornar' a um 'local' de onde guardo muitas recordações ,afinidades,admiração!!
Alem de ser uma linda mulher vc é mto talentosa,parabens e que essa sua luz continue brilhando sempre!!!
Agora que o template tá arrumadinho, vim aqui ler as novidades. :)
Senti falta de ler isso aqui durante essas "férias" de blog, mas acompanhei o tanto de coisa que acontecia por aí.
Em primeiro lugar, não vá dizer que os textos antigos são uma bela bosta, mocinha. Eles não são. É que você é, como bem disse, outra mulher agora.. bem diferente daquela. Mas a de antes colaborou pra vc virar essa aí, com certeza. :)
Fico muito feliz por vc ter "sobrevivido" a tantas alterações na vida e na sua rotina e também me orgulho muito do seu progresso. É, de fato, MUITA coragem e também me orgulho por isso.
Parabéns por esse primeiro ano de bravura e o início de uma vida profissional maravilhosa. Continuo aqui, admirando e torcendo sempre, irmãn.
Beijo grande
Vivendo e aprendendo a jogar...
Vantagens, desvantagens,
como tdo na vida, d prazeres efêmeros e enganosos.
Sábia vc, q curte a efemeridade dos mesmos mas não se deixa enganar ;)
Você merece todo o sucesso que já tem e pode ter certeza que muito mais virá! ;)
Está cansada de ouvir isso, né?! But, que bom que voltou a escrever, flor! :)
Um beijo!
Gostei da analogia entre o resta-um e a sua vida =]
E saiba que, até que eu me prove o contrário, invejo você por morar sozinha.
Fico feliz em saber que você voltou, mesmo que de vez em quando.
Um beijo, sucesso e let´s run until the first million.
Parabéns lindona por tudo q vc já conquistou e cresceu, estou acompanhando essa evolução já tem bastante tempo, alguns anos, eu diria. Mil bjus e continua escrevendo sempre, o blog tá lindo.
bjus gizza!
E aí moça das palavras! Seu blog voltou muito fofo, tanto o layout quanto o conteúdo. E não se preocupe em achar o seus textos antigos "uma bela bosta", sinal de evolução né? Era vc em outro contexto e o bom da vida é poder se reinventar, mudar, sorte pra ti!
Quando, por um milagre, eu conseguir fazer o design do meu blog, coloco o link aqui pra me identificar melhor!
beijos!
Saudade é meu nome. Eu sempre estou sentindo saudade. Saudade dos momentos que dividi com as pessoas queridas, das paisagens em que viajei, dos temperos que senti nas comidas. Saudade até de Floripa, que eu tanto reclamava. Resolvi que saudade não é uma coisa ruim. Eu gosto de "ser quem eu sou, estar onde estou" (Rita Lee), e sempre vai faltar algo, porque eu anseio viver muito mais, conhecer muito mais e ter muitos outros momentos para serem divididos com pessoas espetaculares. Paradoxal é meu sobrenome.
Xuxu, adorei seu post. Eu passei por coisas parecidas quando me mudei para Portugal. A briga com o fogão já passou, o google me ajudou muito. Aqui os amigos são efêmeros, pois a maioria está no país de passagem. Agora eu "moro junto", maritalmente, mas os desafios continuam. Sempre continuarão :)
Quando eu morar em São Paulo, faremos noite da luluzinha, viu? :)
Beijos e força :*
Nossa, como me identifiquei com esse seu texto. Tava pra lá e pra cá no twitter, nem sei como fui parar no seu perfil e depois cliquei no seu blog. Cliquei porque li que você é redatora (eu tb sou) e me interesso por blogs de colegas da profissão.
"Para não me achar burra, tenho que pensar que tenho coragem." Sempre tive essa sensação, que não fui capaz de traduzir tão bem quanto você.
Moro em sampa tem 3 anos, mas nunca morei sozinha, ainda. O que não quer dizer que não me sinta só, porque eu me sinto. É uma solidão que vem da nostalgia. Mas não vou falar que é ruim. Porque rola uma independência e uma consciência da minha força que é fora do comum, nunca me provei tanto.
Agora exibo a cicatriz como troféu, como você mesma disse.
Gostei do blog :)
Um beijo,
Nat
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