Quanto tempo o tempo tem?

Já dizia meu colega Mário Quintana: “o tempo é só o ponto de vista do relógio”. E disse bem, visto que dependendo do que a gente faz, o tempo estica ou corre alucinadamente (como nas festas de ano novo, em que a impressão geral é a de que o ano voou).


Aqui em São Paulo a vida é toda corrida. Para tudo se tem pressa, pra nada se tem tempo. Só o ônibus, que diariamente, se dá ao luxo de atrasar. Mas quando é a gente que se atrasa, o tempo corre, voa, vira maratonista. E quando chega o meio do dia e bate aquela saudade enorme de casa, o tempo dorme, esquece, finge que não é com ele.

Então pra quê o tal do relógio?

Pra quê, se quando a gente revê um amigo distante, parece que nem se passou tempo nenhum desde a última vez? Pra quê, se quando a gente se apaixona o tempo resolve ter preguiça de passar? Enfim, do que serve a medida do tempo se poucos segundos podem ser capazes de destruir – ou criar – coisas tão grandes?

Ora, cara Milena (diz o profeta), o tempo pouco serve pra nada. O que realmente serve é o que se faz com ele. Pode-se passar o dia dormindo, lendo, fazendo rafting, treinando salsa, decorando o banheiro, trabalhando ou quebrando a cabeça por horas pra fazer aquela “puta idéia” caber num espacinho de 30 segundos: a idéia só é de fato boa se te fizer bem.

Se algo assim não é lei pra você, deveria ser. A vida é curta, o tempo é curto e o que vale é aproveitar a melhor fatia dele.