Tá chato?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008 |

Então, segundo o zodíaco, cada pessoa nasce com um dom. Até aí tá maravilha, mas como nada nessa vida é simples, sobrou pra todo mundo descobrir qual é o seu. Pois eu não sei qual foi o critério utilizado, mas acredito numa coisa: o dom da paciência deveria ser universal. Isso porque obviamente o senhor Zodíaco estava meio zureta quando fez sua distribuição e errou na mão na hora da partilha. Deu que, nessa mistureba, vieram personalidades difíceis, que nem horóscopo resolve.

Nasceram os chatos. Sempre prontos a nos estimular no exercício de rir pra não chorar, eles estão presentes em qualquer situação, ponto de ônibus ou quermesse da Igreja. Não há restrições.

Eis que me pediram pra eleger os (ou o) meus chatos preferidos, e confesso que não foi difícil identificar e enquadrar o tipo de pessoa que mais me faz repensar a utilidade prática da vida humana. Seguem as categorias:


Categoria O mundo gira ao meu redor - No maior estilo "vinde a mim os pequeninos", o chato desta categoria crê piamente que não precisa mover um dedo pra que as coisas aconteçam - afinal, jura que foi tocado por uma estrela no momento de seu nascimento, o que rendeu dons invejáveis a qualquer mortal. Centro do universo: umbigo. Também costumam acreditar que são seguidos por uma aura de brilho, fama e admiração, fato que os livra de tarefas mundanas, como educação e gentileza. Resumindo: é o chato que se acha, mas que não passa de um tanga-frouxa com síndrome de Amaury Jr. Te vejo na Caras.

Categoria Calendário Lunar - Antes mesmo de conhecerem a mudança das marés ou o efeito no corte de cabelos, os pertencentes a este grupo reinventaram as fases lunares. Numa variação da categoria anterior, costumam justificar seu mau-humor e irritação com a máxima: "é que eu sou de lua". Pois seja de lua, de sol, de raioestrelaeluar mas vá curar teu mau humor antes de soltar os cachorros em alguém. A vida é dura e ninguém tem culpa se você perdeu o ônibus, escorregou na festa ou se te filmaram bêbado. Pois desse tipinho eu tô que nem a lua: cheia.

Categoria Fralda geriátrica - Então você acredita que este peculiar acessório só pode ser usado pelos praticantes do grupo da terceira idade, não é? Pois está enganado. Basta olhar com mais atenção e encontrará alguém que dá indícios do uso indevido da fralda. Não porque sofra de problemas gastrointestinais - longe disso. É jovem, sadio, está na mais tenra idade: mas é tão ranzinza quanto uma velha azeda. Munido de opiniões negativas como "eu te avisei", ele sempre estará pronto para discursar conselhos inconvenientes de boa conduta. Enfim, é o dono da razão, um verdadeiro cérebro prodígio. Um kit de crochê pra você, amigo.

Categoria "Sou bom porque sou humilde" - Faça tudo o que puder, mas não coloque em dúvida o caráter deste aqui. Filho de uma infância sofrida ou período de luta, ele irá se gabar aos quatro ventos sobre os obstáculos vencidos. Porque é capaz, tem o dom e claro, é muito humilde. Geralmente gosta de criticar comportamentos alheios, praguejar a atual situação da humanidade, diminuir-se numa modéstia forjada...tudo para que, na conclusão da história, fique claro que o mundo precisa é de gente como ele! Mas isso foi você quem descobriu, porque o próprio, na realidade, dirá que "nem é tão bom assim". Eu acredito.


Eu não tenho dúvida de que existam mais categorias. Nem que você possa colaborar com isso.

O meu insight da chatisse humana foi feito por sugestão da PUKET, que resolveu criar uma coleção anti-chatos, com o tema Tá Chato? Veste Puket! De fato, eu duvido que alguém continue tão irritante depois de vestir (ou ver) coisas fofas assim:



Promoção da blogueira chata:

Como esse blog é um fofolete assumido, chato aqui não entra. Portanto diga aí pra mim (via comentários): na sua opinião, qual é o chato que merece uma Puket?

Pode ser pessoa, categoria, cachorro, o negócio é fazer uma frase bacanuda. A melhor leva o quê? Um kit LINDO da Puket! Taí uma oportunidade única de ganhar presente - e reclamando!

O resultado sai aqui dia 15, tá combinado?

Sim, o post é pago. Mas eu tô dando presente. E se não gostar, entra na categoria Fralda Geriátrica JÁ.




Entrelinhas.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008 |



Ah, as histórias de amor. Deus sabe o quanto somos suscetíveis a elas e o pior - o quanto nos deixamos levar por certos enredos, querendo que a própria vida nos presenteasse com situações assim. Eu, particularmente, prefiro as histórias reais. Pode o diretor de cinema unir o casal mais bonito, pode o melhor livro vir com fábulas sonhadoras (e fictícias)- bonito mesmo é quando o amor acontece aqui, no dia-a-dia, debaixo do nosso nariz e dentro dos olhos de alguém.

Pois é, é bonito. Mas muitas vezes não é suficiente. Geralmente a gente insiste no contexto cinematográfico, quebra a cara e bota a culpa na simples humanidade que existe atrás dos personagens. A influência do "pra sempre" é tão grande, que em certo momento, aceitar coisas tão normais quanto a rotina e a diferença de personalidades se torna o fim do mundo. Ou, cinematograficamente falando: o romance se torna drama.

E era nesse erro estúpido e constante que eu pensava dentro daquele táxi, naquela madrugada em que, pela primeira vez, tomei uma direção contrária: eu recusei amor. E ele estava lá, completo e entregue, como todo bom amor deve ser. E eu estava lá, confusa e cansada, fugindo da obrigação de encarar que a nossa história estivesse assim, sendo escrita por linhas tão tortas.

Mas certas. E o que esperar de um casal que teve seu primeiro beijo de cabeça pra baixo? Nós dois fomos improváveis desde o início. Quando a pauta era o amor, a gente exercia o exagero. Quando era proximidade, a gente abusava da sorte. E no meio de um roteiro tão perfeito, veio a vírgula: fomos atingidos. Quando me dei conta, já estava naquele táxi, tentando definir o que acontecia e digerindo essa situação que, se não fosse tão absurda, não seria nossa.

Não pedi pra parar o carro, porque às vezes as coisas precisam andar. Por mim, andaram pra frente. Em um mês longe, eu me redescobri e reencontrei a força que dispensei quando você compartilhou a sua. Me fiz melhor e virei o passarinho que sempre quis ser. Porém não faz sentido algum voar pra longe se você não tiver pra onde voltar. No final das contas, continuei não entendendo por quê insistir em botar a cabeça no meu travesseiro, quando ela foi feita pra caber no seu ombro.

E aí eu lembrei do modo absurdo que a gente se conheceu. De como você me ganhou aos poucos, mas de maneira definitiva. De quando eu disse que te amava e você correu pra estourar um champagne. E sorri como só as pessoas mais sortudas do mundo fazem. E te quis comigo da maneira que só os que realmente amam querem. O preço que uma história de amor cobra para ser real é grande. Mas vale cada capítulo.

Os independentes

segunda-feira, 15 de setembro de 2008 |


Diz a lenda que Adão cresceu sozinho. Ano após ano, lá estava ele, abandonado e nu, vivendo um marasmo neste mundaréu chamado Terra. Pois se o planeta já é realmente grande, imagine para um homem só! - na empreitada, Adão ganhou uma infinidade de maravilhas a serem descobertas. Mas como o tédio, desde os primórdios, assola todo ser humano, não demorou para nosso pobre elo perdido se sentir sozinho. Aperto no peito, dor no coração, estava em estréia essa tal de solidão!

Logo providenciaram a companhia: mulherão neanderthal pra ninguém botar defeito. Juntos, fizeram miséria com a terrinha, rolaram na areia, comeram maçãs... Pecaram pra diabo, mas comprovaram a teoria: o mundo não vai pra frente quando você está sozinho. E eis que o mundo foi pra frente, de um modo meio torto - mas foi. Milhões de anos se passaram, vieram revoluções, guerras, o biquíni, a tecnologia. Surgiu um mundo relativamente avançado, e agora estamos aí: querendo novamente brincar de Adão. Insistindo na auto-suficiência.

De todos os produtos hoje vendidos, o que mais sai é a independência. Vende que nem água. E apesar de não vir em caixas, está embutida em uma porção de idéias que te dizem que o mais prático é ficar sozinho. Ok, a solidão pode ser triste, mas para quê investir em relacionamentos com tendência comprovada ao fracasso? Para quê jogar o buquê quando logo,logo as fotos é que serão descartadas? Filhos? Você pode conseguir sozinho. Amigos? Haverá os circunstanciais. A vida virou um enorme sachê de amostra-grátis, e as doses me parecem cada vez mais fracas.

Tudo porque, em certo momento, a entrega do coração perdeu para a tele-entrega da pizza. E porque, enquanto isso, os limites abolidos com a internet permitiram muros enormes entre pessoas. Independente da tua teoria de criação do mundo, os criados necessariamente foram dois. Um par. Emissor e receptor. Sístole e diástole. Um mundo inteiro existindo num mutualismo inegável e nós aqui apostando na tecla esc.

E eu insisto nessa idéia porque ainda acredito na carne e no osso. Ainda tenho lágrimas salgadas e um abraço doce. Ainda reivindico o "pessoalmente", a humanidade e a ambigüidade da palavra conexão. Sabe, essas coisinhas fundamentais que a gente não conquista no efeito de um clique. Não me clique. E se "amar" virar verbo defectivo, conjugue pelo menos, na primeira pessoa. Pode até começar em "eu", mas tem grandes chances de terminar em "nós".

Três namorados novos.

sábado, 13 de setembro de 2008 |

Tô pra ver mulher que não goste de surpresa. Ainda mais no meio da semana, mais precisamente numa quinta-feira, dia em que eu encarnava uma verdadeira escrava branca no trabalho.

- "Milena, chegou um pacote aí pra você!" - achei que era bomba. Fora aqueles olerites "interessantíssimos" da Caixa Econômica, não recebo nada muito interessante do Correio há meses. (fica aqui registrado o meu momento mimimi - blogueira carente).



E eis que me deparo com essa caixa linda cheia de URSINHOS! Gente, fica registrada outra coisa: mulheres podem estar no auge dos seus 60 anos, fazendo lá seus programas da terceira idade, mas a reação diante de mimos assim será sempre a mesma.

Enfim, dentro da caixa, 3 ursos lindos, de roupãozinho. Me diz se eu aguento uma coisa dessas.


Da esquerda pra direita: Bad Bill, que veio com a mãozinha estrategicamente colocada dentro da cueca e acompanhado por um Axe Click | Bob, que usa uma camisetinha - ATENÇÃO - com uma foto minha num coração (quasemorri!) e veio acompanhado pelo Axe Dark Temptation | Teddy que de inocente só tem o nome, porque veio com uma roupinha sadomasoquista e um AXE Vice.

Preciso nem dizer o quanto adorei tudo isso. Quem me conhece sabe que eu sou cheia desses nhenhenhens pra coisas fofinhas. Pode dizer que é jabá e oraioqueosparta: não é! Fiquei realmente contente com os meus três novos namoradinhos.

Bom fim de semana pra vocês. Aliás, não esqueci do blog. Tenho texto novo aqui prontinho e logo, logo ele aparece.



Fã no coração e na cueca! : ursinhos podem tudo.



Ritual de passagem

sexta-feira, 5 de setembro de 2008 |


Cidade natal é como porta de banco: você sempre deixa alguma coisa sua lá. Seja um parente, uma saudade, ou a bolsa de mão esquecida na última viagem. E faz falta. Faz parte. Vez ou outra a gente acorda de madrugada querendo rever essa coisa que ficou pra trás. Nem que seja pra achar teu antigo ponto de referência. Quando tudo fica assim, eu viro uma peça no jogo de tabuleiro: volto ao início. Pego as malas e corro pro lugar aonde alguma certeza ainda existe. Todo mundo tem esse lugar, todo mundo tem um começo. E eu, comecei em São Paulo.

20:10 - quinta-feira - Rodoviária de Florianópolis

Uma mala em cada mão e o coração pesava mais que as duas juntas. Frio lá fora, frio aqui dentro. A estrada me espera com 10 horas de viagem e algum desconhecido pra babar a noite toda do meu lado. Torci pra ele não ter cara de louco. Não tinha. Meu pai e minha mãe repetem recomendações infinitas. Prestei atenção no amor por trás de cada uma. As recomendações em si, não escutei. Eu sei me virar, mãe, eu sei. Decidir estar aqui é a maior prova disso.

07:00 sexta-feira - Rodoviária de São Paulo

E se eu quisesse ficar parada, a multidão me levaria junto. Gente aglomerada, muita coisa acontecendo. A viagem foi boa, pegar o metrô foi simples. Nenhum mal encarado, nenhuma confusão como aquelas nos jornais. Aí vi que meu anjo da guarda estava atento e descansei. Perdi até o receio. Sujeira, correria, cinza, movimento constante. Como é que eu posso olhar pra tudo isso e me sentir tão bem?

12:00 sexta-feira - Avenida Paulista

A Av. Paulista é meu namorado cafajeste: amo e não sei bem o por quê. Não tem céu limpo, nem Beira Mar, nem vento Sul batendo no cabelo. Mas tem conversas altas, vida, acontecimentos. Teve gente nova pra conhecer. Em comparação com a Paulista, a minha vidinha em Florianópolis é só uma esquina. E como toda esquina, tem essa urgência de encontrar outro rumo.

15:00 sábado - Blogcamp SP

Blogueiros poderosos, gente com conteúdo. E o que poderia ser básico pra tantos, foi uma salada de experiências pra mim. Meu blog não tem a pretensão de se igualar àqueles, e tenho completa consciência de que minha posição lá era a de espectadora. Mas se eu pudesse medir o quanto adorei ter conhecido aquelas pessoas, pagerank nenhum alcançaria. Me diverti demais. Offline.

13:00 domingo - A cidade é minha.

E eu sou dela.

23:00 domingo - Com destino a Florianópolis

A vontade de ficar não cabe num abraço de despedida. Apertei minha tia tão forte, que a dorzinha de ir virou dor de saudade. E quando você acha que a viagem acaba, ela só começa. São mais pessoas pra conhecer no ônibus, mais estrada pra ver da janela. Cada segundo me deixava mais perto de casa, cada segundo me deixava mais longe de mim.

7:00 segunda- feira - Eu não moro aqui

O que uma estrada é capaz de fazer para um coração mal resolvido? Muitas coisas. Se elas unem cidades, talvez também unam pedaços.

No final das contas, o roteiro que descrevi foi só de uma viagem, curta e usual. Simples e tão óbvia quanto fugir para escapar dos problemas. Antagônica e tão essencial quanto a idéia de se perder para se encontrar. De malas e certezas desfeitas, sou só recomeço.
Um amigo meu disse que eu me perderia em São Paulo. E eu me perdi.



Blogcamp SP: Luiza Gomes, Rafael Ziggy, Carol Bicudo, Mirian Bottan, Mackeenzy, 1/3 do Rafael, Dani Koetz e Milena. :)

Foto: Tanaka