Por olhos mais magros.


De todos os personagens mitológicos criados, existe um que realmente me intriga: a inveja. Dona inveja, até onde se sabe, percorre mundos e fundos com uma única missão: fazer mais e mais pessoas acreditarem na vil teoria de que ela tem o poder. E que poder! Com um leve toque da danada, o pobre contaminado já vira uma sanguessuga de primeira, saindo por aí tal qual um vampiro em busca de pescoço.

Podemos dizer que sua viagem missionária começou há muito tempo atrás, mais precisamente quando o tal do Poder começou a dar as caras. Pois bem, desde então, inveja e poder não se suportam, não é segredo pra ninguém. São bastante típicas essas guerrinhas mitológicas, mas mais comum do que elas é o seu resultado: os mortais é que sempre acabam pagando o pato.

E cá estamos nós, essa gentarada transitando por aí em posições desiguais. Uns com tantos, outros com poucos, enfim, o cenário perfeito para a nossa vilã agir. Porém, ciente de seu poder degradante (e da de nossa incapacidade de distingui-la da pura e simples admiração) a população iluminada resolveu fazer justiça com as próprias mãos: criou um contra-ataque para a pobrezinha. E tudo seria um triunfo se as armas não fossem assim tão...confusas. Pé de pimenta, amuleto de figa, olhinho grego, galho de arruda... Comé que é mesmo?

Aí vieram esses dias me oferecer o "colar do mau olhado" e quem olhou torto fui eu. Ok, tenho lá minhas superstições básicas, mas não consigo entender a vantagem de se andar com uma salada no pescoço. Já é absurdo pensar que eu perderia alguma conquista minha só porque “fulana não gostou”, mas mais absurdo ainda é pensar que uma pobre pimenta barraria o problema. Engraçadas também são as pessoas que jurampordeus (e adoram!) serem invejadas. Ué, penduricalhos no pescoço pra quê então?

É por isso que pra mim a inveja é quase um mito. Uma amiga imaginária, que só aparece pra quem quiser ver. Apesar de reconhecida como pecado capital, se você realmente não der bola, ela não faz nada. Nem a minha fama e quem dirá o meu Ibope. É só um termostato bobo que me avisa sempre que o melhor é me garantir sozinha. Porque uma coisa é acreditar no amuleto, outra bem diferente é botar fé em você mesma.



Pauta para o Tudo de Blog - Revista Capricho.

Infanto-juvenil



Quando se é criança, não querer crescer é tão normal quanto a vontade de desenhar na parede. Também pudera. O tempo juvenil é praticamente um Xou da Xuxa constante, com brincadeiras, cores, gente pulando, Trem da Alegria embalando... Como querer abandonar tudo isso? Pois bem, eu não quis.

Não quis crescer depois de grande, e aí é que mora o problema. Enquanto cada ano vinha, eu me agarrava nas pernas do tempo e jurava não me render. Deu no que deu. Virei essa banana infanto-juvenil, esse bolo que dispensa fermento. Até cresço pra cima, pros lados e pela cabeça, porque mesmo sendo Mãe, a natureza não tolera certas birras. Mas aqui nesse coraçãozinho pimpão, preferia que Crescer fosse só nome de revista.

Eu adoro crianças. Admiro o modo prático e sincero com que elas levam a vida. Afinal é muito fácil ser prático e sincero quando você tem gente disposta até a limpar sua bunda. Mas o que realmente me encanta é a essência, a doçura, a adaptação às coisas simples. Dê uma caixa de papelão para a garotada e veja um novo modelo de barco surgir em minutos! Eu mesma,hoje incapaz de fazer ovo frito, fazia enormes banquetes com apenas um pouco de terra e meu belo jogo de panelas plásticas. Versatilidade vem de berço! (e muitas vezes fica por ali mesmo).

É muito bonito ser madura, é muito interessante. Independência é moda desde que Dom Pedro passou por aqui, e o que dirá nos dias de hoje. Mas como achar graça nessa vida enquanto tantas pessoas negativas e com cara de parede te rodeiam? Bastaria para elas um pouco da convivência do pré-primário. Bastaria serem primárias, pronto.
Por isso, a chave está na época do tênis de luzinha. No tempo em que pentear cabelo não é importante e a gente não dá a mínima pra opinião alheia. Na idade de inventar brincadeiras, ter o joelho ralado e prova de Estudos Sociais amanhã. Enfim, aquele momento em que você precisou crescer pra perceber que era ainda mais inteligente do que é hoje.

O infantilismo, quando bem dosado, pode te transformar num adulto alegre e com alto nível de criatividade. Ou em um panaca boçal e mimado, dependendo do caso. Não tem nada a ver com falta de responsabilidade, mas com excesso de gosto pela vida. E vida gostosa tá valendo ouro por aí.
Às vezes, algumas pessoas me perguntam se eu não tive infância, e eu realmente estranho. Ué, meu bem, claro que tive! Tenho até hoje.



Guerra Fria.


Todo pai, por mais bicho-grilo que seja, sonha com um futuro próspero para seu rebento. O meu também sonhou: quis que eu ganhasse rios de dinheiro com "esse negócio de computador". Desde pequena, minha habilidade indiscutível no Paintbrush quase emocionava o véio. Por isso, na época de escolher a profissão, seria tudo muito simples. Bastaria fazer Sistemas de Informação ou qualquer coisa relacionada com o mundo nerd.

Mas deu que a filhota escolheu Publicidade. Péssima decisão! Ganha-se pouco, trabalha-se muito e além de não estar de acordo com as modernices rentáveis da Internet, não concordava com as douradas previsões paternas. Ou seja, papi disse "não". Há tempos, e pra muitas coisas, papi dizia "não". E dizia tanto"não" que esta parecia ser sua palavra favorita. Já acostumada às divergências, desta vez quem disse "não" fui eu.

Comprei a briga. Desde pequena via esta guerra acontecendo ao redor e me tomando como refém. E chamo de guerra porque era mesmo uma batalha: com direito a abuso e descaso - típicas respostas para discordâncias, inclusive de profissões. A minha opinião era controlada por alguém que usava o silêncio como regra, e foi exatamente o silêncio que imperou no contra-ataque: enquanto escolhi ser publicitária, ele escolheu ficar semanas sem falar comigo. Foi assim que na guerra entre mim e meu pai, virei revolucionária. A arma branca de uma guerra fria.

Me inconformei. Parei de achar normal a ausência do apoio. Parei de escrever cartas emocionadas que não tinham resposta. Assumi a estranheza por aquela pessoa que nunca devolvia carinho. Reivindiquei um pai que eu sempre quis ter, mas que pela primeira vez, reconheci que não tinha. Colecionei cicatrizes contraditórias, mas nunca suficientes para entender como poderia haver tanto amor pra dar, se dele eu recebia tão pouco.

Mas como guerrear não é meu forte, entreguei os pontos. Cansei. Lutar contra algo que você ama deve doer tanto quanto um tiro na perna. Enquanto perdia a batalha pela construção de uma ponte entre os dois, fui aderindo a esta lei do silêncio, que não diz nada, mas perturba tanto quanto palavrão na Igreja. Fiquei aqui, do meu lado órfão, porém sem expectativas. E hoje, no teu aniversário, o meu Parabéns é mudo, mas dolorido, num disfarce da família perfeita. Pelo menos neste silêncio - a tua única resposta e o meu maior manifesto de dor - nós ficamos juntos.
Parabéns, Pai.



Eu blogo, tu blogas...

Desde que uma oportunidade muito jóia deu a esta pequena blogueira a chance de colocar um texto na Revista Capricho (via Tudo de Blog), muitas coisas legais aconteceram. Conheci mais gente, colaborei na primeira edição do caderno Kzuka, do Diário Catarinense e dei entrevistas para dois programas de TV daqui, o Estúdio 36 da TVCom e o Patrola, da RBS (Globo).

E tudo isso anda acontecendo porque o blog, como conceito, tá com o nome muito bem visto na praça. Com blogs, pessoas e empresas andam ganhando bastante dinheiro e conseguindo uma forma bem direta de falar com o seu público. Isso fez com que a ferramenta ganhasse uma grande importância e voltasse a ser febre.

Eu, partircularmente, fico muito feliz de ver blogueiros catarinenses entrando na jogada. E minha única forma de aproveitar esse cenário, é usar da credibilidade que os blogs andam ganhando pra expor o que eu mais gosto de fazer, que é escrever. Apesar de a "primeira pessoa" praticamente imperar nos meus textos, tudo isso não se trata de pretensão, e sim de treinamento.

Há por aí blogs muito mais visitados, concisos e interessantes que o meu (e eu sou visitante assídua de muitos!). Mas o importante agora pra mim não é fazer do blog um negócio, mas um caminho. Só me resta agradecer a quem estiver me acompanhando.




Entrevista no Patrola, do dia 10 de maio (sábado)

Quando eu finalmente conseguir converter o vídeo da entrevista na TvCom, coloco aqui também, ok?


Abração para o Rogério Mosimann - que foi meu professor ano passado e para o Lóssio e o Veras, que também estão mandando muito bem. O beijo especial vai pra Tata, que fez uma reportagem ótima e pro Hinckel, o figurante mais bonito da TV Globo!




Ela é.



A minha mãe coloca o possível no impossível. Coloca o predicado no sujeito, e ainda pergunta se o sujeito tá com fome.

A minha mãe tem uma fábrica de guarda-chuvas e outra de agasalhos. Fez convênio com o INPE e prevê o tempo antes mesmo do satélite.

A minha mãe daria aulas de bom senso e caráter pra homens grandes. Sem cerimônia, usaria o chinelo e os botaria de castigo.Os problemas do mundo acabariam e ela diria que não sabe de quem é a culpa.

A minha mãe acerta tudo. Tiraria o emprego de qualquer serviço de adivinhação. Só não ganhou na mega-sena ainda porque sabe bem que ainda tem gente que precisa mais.

A minha mãe fica triste quando a gente não vai à missa.Mas ajoelha, agradece e pede de coração aberto. Não por ela, por nós.

A minha minha mãe é PhD em ciências humanas e sabe mais da vida do que eu penso.Ela sabe mais do que eu sobre o que eu penso. E faz questão de mostrar que isso pode ser bom.

A minha mãe tem o otimismo da Pollyana, a fé do padre, a paciência do Buda. Ela tem a calma de que você precisa pra terminar de ler esse texto.

A minha mãe inventou o abraço, inventou o colinho, inventou a sensação de voltar pra casa e dizer "oi mãe". Modesta, disse que foi Deus. Mas eu sei bem da verdade.

A minha mãe ainda tá com o mesmo coração desde que tinha cinco anos.Ela só faz mal às formigas que comem o bolo dela. A mais nada.

A minha mãe me ensinou a saber me virar com uma só cor na caixa de lápis. Se Deus fez o céu e o mar só com o azul...

A minha mãe teve que usar o chinelo pra me fazer entender que, no nosso caminho, a gente é quem adiciona as curvas (e que as consequências disso podem doer).

A minha mãe me faz querer ser o melhor que eu puder em qualquer situação. Ela me faz querer e achar que posso. E isso é o início de tudo.

A minha mãe foi melhor amiga de Freud. Passeou com Einstein, Jantou com a Ave Maria, assistiu aos Sermões de Jesus Cristo de camarote e liga pro Papa toda semana. Sim, o Dalai Lama estava aqui mês passado. Eu não conheço outra explicação.

A minha mãe me ensinou a perdoar, a não ser orgulhosa, a acreditar em mim.A me amar ela não ensinou porque pensou que o amor dela preencheria tudo. E preenche.

A minha mãe me faz encarar como "normal" o fato de viver um milagre. Em dias como hoje, eu olho pra minha família e esqueço de como fazer isso.

A minha mãe me mostrou que o amor é eterno. E mesmo assim tem compaixão com os que ainda não sabem o sentido da vida...

A minha mãe provou pros cientistas que anjos existem.Que o amor cura, que a verdade resolve tudo, que a gente pode voar.

Eu, sempre muito obediente,
Voei.

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Mães são criaturas absurdas. Conseguem ser pessoas extremamente simples, e ao mesmo tempo carregam o poder do mundo nas mãos. Eu amo demais a minha dona Ana. Minha força, minha inspiração, meu caminho de volta e meu exemplo de carinho.
Embala meus sonhos, mãe. Eles ainda se espelham em você.

(Vamos ver se dessa vez ela perde a vergonha e comenta aqui)


Com quem será?

Primeiro foi a aderência ao final específico dos contos de fadas. Depois, a simpatia indiscutível pelo gênero comédia-romântica. E, finalmente, quando me vi chorando de emoção ao ouvir Kenny G nos bancos da Igreja, veio a constatação: eu tenho a síndrome do casamento. Pode até ser que você, amante da independência feminina, da vingança do batom e da sede de vitória não entenda minha sensibilidade perante o matrimônio. Mas basta lembrar da sua Barbie noiva ou de um final de filme romântico para que aquele sorrisinho sonhador te denuncie. E jogue o primeiro buquê quem disser que não!

A associação é instantânea: filme romântico bom é aquele que acaba em casório. Logo, uma história de amor que se preze, deve ter um "sim" de branco no contexto. O que nos leva a entender, por consequência, que felicidade é item de série no novo modelo de véu e grinalda. Isso tudo pode ser lindo para os produtores de novelas, filmes e cerimonais, que ficam milionários a cada chuva de arroz. Mas não pra nós, donzelas mortais que sonham em pertencer a esta fábula e acabam ouvindo numa tarde qualquer: "E aí amor, vamo morá junto?"

Aí não dá, né! Cadê a meia fina, o champanhe, a banda tocando Moon River? Cadê a dura escolha dos docinhos, as fotos no estúdio, o padre benzendo? Há quem diga que está na moda (na moda do bolso) ir morar junto direto e gastar essa grana toda com aluguel. Pois eu pergunto a vocês onde está o glamour numa frase dessas. Onde está o amor e o beijo no pôr-do-sol? Se até a Tieta do Agreste teve seu momento de enlace, porque eu, pobre influenciada dos Irmãos Grimm, também não teria direito a um papel passado? Já mandem preparar o bolo!

Obviamente, essa minha mania de enxoval já estremeceu alguns moços da minha vida. E deixa o atual levemente pálido. Poxa, eu até tento ser modernosa e botar o pé no chão. Mas chega certo ponto em que o amor é grande e merece ser celebrado na paróquia. Eu sei que sou nova e que tem muito chão pela frente. Mas há algo tão errado em querer que esse chão acabe num altar?

Tem gente que diz que não dura, gente que diz que é arriscado. Mas cá pra nós, eu acho que num mundo tão inconstante, embarcar num casório exige muito mais do que ser brega: exige coragem e muito amor. E se é isso o que é preciso, tô dentro! Mas só entro se for levada no colo.


Saldo positivo


Dizem que "dinheiro na mão é vendaval". Na minha, é um furacão Katrina.
Não sou compulsiva, não gasto à toa, mas de alguma forma (e bem simples) ele se esvai. Não entendo o que acontece. É na bala do ponto de ônibus, nos DVDs, na comida pra comer com o DVD, no café da Lagoa, no cinema. Quando vejo, tenho que fazer malabarismos pra comprar um par de meias.

Nunca fui de nadar em dinheiro, e nem se eu fosse um peixe Beta conseguiria me mover na minha fortuna. Minha família teve lá seu tempo de vacas gordas, foi todo mundo pra Disney, uma beleza. Mas os anos passaram e digamos que o sofrido dinheirinho até que enche bem a casa; mas não o bolso da pobre mulher narradora. Desde que troquei a carteirinha do estudante pela Carteira do Trabalho, aqui se faz, aqui se paga. Literalmente. Ou seja, se eu decidir apostar toda a minha bufunfa no jogo do Bicho, o problema é meu. Se eu perder, idem.

Meus planos, como os da maioria das moçoilas, é ser aquela mulher independente e bem sucedida que a Revista Nova insiste que exista. O que é um problema, principalmente quando a situação monetária da "Redatora" vem à tona. Aqui por essas bandas, do xampú à calcinha, é tudo no bolsinho da mamãe aqui. Paitrocínio pra mim é lenda, carro aos 18 é historinha pra boi dormir, outono em Nova York é só nome de filme. Algumas coisas realmente se tornaram fábulas aqui na Pindaíba, meu lar, doce lar.

Quando me mudei pra Floripa, lembro que o baque foi grande. Saí de uma escola pública em São Paulo e vim pra um colégio particular, com moças que bastavam estalar os dedos para embarcar em um intercâmbio na Nova Zelândia. A minha contenção monetária pode parecer óbvia para você, cidadão do mundo. Mas não para essas perolazinhas da high society catarinense. E conviver com elas foi uma grande merda, e sempre será. Porque eu nunca vou me acostumar com a personalidade de gente que bota sua expectativa de felicidade quase que exclusivamente no dinheiro. Sim, o excesso do "faz-me rir" pode comprovadamente trazer alegria, mas inevitavelmente traz junto uma tendência indiscutível à arrogância. E esse fato também é comprovado. Ou você não fica surpreso quando encontra uma pessoa podre de rica, mas extremamente simples? É o feliz paradoxo da fortuna.

Pois se eu e o Fernando casarmos hoje, nosso patrimônio se resumirá à uma caneca do Cirque du Soleil, livros, um DVD de fábulas da Disney e alguns eletrodomésticos adquiridos (por ele). Isso sem contar o enorme afeto acumulado, e é esse o tipo de fortuna que me igualaria ao Donald Trump. Acho que, inicialmente, essa tendência de valorizar o simples surge como necessidade, depois vira opção. É por isso que não sofro em ver a verba virando cinema, passeios, cafés e outras coisas boas de se fazer junto. É simples, mas o saldo é sempre muito positivo. O amor, que é a única coisa que eu colocaria num cofre, é justamente o que menos devo economizar.


Ataque de nervos



- Ei, ataque de nervos, o que veio fazer aqui?

- Atacar seus nervos, obviamente, e tudo aquilo que te sorri.

- E a troco de quê te devo a visita?

- Escolhas mal feitas,
Palavras não ditas,
Caminhos errados,
Mentiras perdidas

Passados, promessas,
Vírgulas, reticências,
Interrogações, e é claro,
Algumas das tuas carências.

- Pois pode parar teus intuitos, a porta é logo ali. Muito antes de você chegar, alguém já esteve aqui.

- E quem estaria, numa hora dessas, a encobrir teus medos com mais promessas?

- Meus valores, minhas cores,
Algumas palavras, diversos amores,
Minha força, só a realidade,
Alguns detalhes, agora de verdade

Um escudo, várias flores
Passos que não foram em vão
Muitos passados, um só presente
E, quem sabe, o mesmo coração.

Arruma as malas, toma teu rumo
Que o choro não rima a canção
Desiste do vazio, e não volta
Que é fato:
Não há mais solidão.


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Eu realmente gosto desse aí. Não é de hoje, já faz tempo que foi escrito. Mas em mim sempre vai funcionar.
Não é sempre que a resistência persiste, e no meu caso em muitas vezes ela é falha. Basta um olhar distraído, um pensamento exagerado e pronto, lá se vai um lote inteiro de certezas. Por isso a razão de se criar raízes tão fortes em corações que vivem voando. Hoje, muito bem domado (e cuidado), o meu permanece assim: com ataques de felicidade, não de nervos.

Tradução


E lá estava eu, aos 7 anos de idade, ensaiando versinhos e apontando os lápis gastos por gostar de brincar de fazer as palavrinhas darem as mãos. O mundo achava uma belezinha, meu pai achava caro comprar livros infantis e eu achei o sentido disso tudo só uns tantos anos depois. Valeu pra vir aqui e tentar traduzir um terço desse sentimento, desse jeito meloso e com um pingo de pretensão de gente que acha que sabe falar por palavras.


Mas sobre você, eu não sei falar nem por gestos. Incabível em qualquer língua, mímica e até nesse meu olhar pequeno, que se perde na dúvida entre um olhar de criança abandonada que finalmente achou um lar ou de mulher bem resolvida, cheia de mistérios e expressões que te convençam e chamem pra dentro. Eu não sei traduzir você, e talvez por isso eu te ame tanto.