Troca na mesma moeda.

Quando a gente fala sobre ser trocada, geralmente pouco importa o real motivo da “negociação”. Pode ser trocada pelo cachorro, pela vizinha, pelo futebol ou até por descanso. Na essência, pouca coisa muda, exceto por um pequeno fator: dói. Ser trocada dói, trinca os dentes, dá uma raiva do demo e uma choradeira do cão. É o tipo de coisa que irrita só por a gente saber que não tem controle nenhum. Isso aí, a vida é pilantra mesmo, tira o que é seu e dá pra outra pessoa que talvez nem quisesse tanto. Outra pessoa ausente, nem tão bonita, nem tão alegre, nem tão você. Basta por ser diferente.
Mas e quando a diferença supera as convencionais regras do jogo? E quando não há cabelo comprido e mais bonito pra você comparar, ou vestidinho dela pra você querer rasgar?
Surpresa: ele te trocou por outro. O mundo ficou moderno e passou você pra trás, junto com suas antigas convicções. O que parecia improvável talvez se encaixe bem numa daquelas histórias que a gente sabe, só acontecem contigo. E talvez esta nova rivalidade até cause um alívio por ser inalcançável este novo oponente. Agora a briga não é entre trejeitos femininos, é entre gêneros. E independente dos personagens envolvidos, o gênero da troca é sempre o drama.
Troque seus antigos conceitos e siga em frente. Não foi só você quem perdeu, foi o seu time. E já é hora de outra história entrar em campo.



Pauta para o TDB Capricho: "E se ele te trocasse por OUTRO?"



O maior desafio de escrever para esta seção é o tamanho dos textos. Primeira liçãozinha que a mocinha aqui terá que aprender. Limite nesses dedos!
O tema aí é complicado e - ufa! - nunca não passei por um caso assim. Se bem que, como foi dito, troca é troca. Sempre dói.

Odeio voltar do carnaval. Gente, é horrível.

Alagaram a minha cidade.



Eu não moro em Florianópolis há muito tempo, então não tenho muito conhecimento de causa. Mas, depois de ontem, posso afirmar, com meus 6 anos de estadia, que nunca tinha visto algo assim.
Se São Pedro tem torneira, esqueceu ela aberta. Mandou chuva, mandou vento, só não mandou tempo pra gente poder descansar. Em menos de um dia, choveu o suficiente pra devastar semanas. E para fazer Florianópolis realmente assumir o posto de "um pedacinho de terra perdido no mar". Um pequeno e vulnerável pedacinho.

Pois quem sou eu pra reclamar dessa chuva? Logo eu, que tive como maior prejuízo uma barra de calça molhada ou um cabelo úmido? Que acordei ontem e, da forma mais egoísta, reclamei de ter que sair de casa e pegar ônibus para trabalhar?
Eu sou mais uma das milhões de espectadoras do telejornal, só isso. Uma das pessoas que ontem à noite ainda tinha uma TV, um sofá e nenhuma marca de água na parede. E que absurdo esse negócio de água na parede! Parede tem que ter marca de mão suja de criança, lasca na pintura, marca de furo antigo de quadro, não de água. Não assim.

Mas ontem muita gente teve a tal marca. Muita gente perdeu casa, perdeu cama, a TV e o telejornal. E os vizinhos que um dia se emprestaram xícaras, passaram a emprestar baldes.
No meio da bagunça eu também tive um dia ruim. Claro, muito menos ruim que o dessa gente. Mas ruim o suficiente pra, no meio da tarde, duvidar se chovia mais lá fora ou aqui dentro de mim.

E por isso eu reclamo da chuva, que ontem largou mão do limite. Da chuva de fora, da chuva de dentro, da chuva marcada na parede de gente que não merece. É isso, embolorei.
Só que eu, a pessoa da barra da calça molhada, costumo secar mais rápido que guarda-chuva de náilon. Já essa gente desabrigada, se tiver lona pra se cobrir hoje à noite, já é muito.

A essas alturas, já parou de chover. A aguaceira de ontem se reduziu à manchete do jornal e às conversas na hora do almoço. E é nesse momento que todo mundo lembra que a chuva devasta, enche, encharca, mas lá no fundo é boa e une as pessoas. Seja debaixo de um toldo, de um cobertor ou da carona num guarda-chuva de alguém. Ou mesmo na solidariedade.

Se você perguntar pra sua professora de gramática onde está o sujeito da oração "Choveu", ela dirá que é inexistente. Aproveite a oportunidade e prove que ela está errada. E que tem muita gente com o rodo na mão e no coração pra ajudar.



NOVIDADE CARNAVALESCA!

Percebeu o botãozinho maroto ali do lado direito? Virei colaboradora do Tudo de Blog, da Revista Capricho. Fiquei bastante contente por saber que agora essas palavrinhas já estão mais fortinhas e podem ir mais longe.
Isso tudo é muito bom porque me fará escrever mais, treinar mais e ser mais disciplinada com o blog. E agora vocês (essa meia dúzia que me lê) poderão me ler uma vez ou outra na revista também. Como vou seguir pautas, o assunto vai variar. E vocês podem continuar opinando.
É como dizem, né, a palavra tem poder.