Quando resolvi, num ato de coragem, contar pro meu pai que já havia sido "deflorada", a sentença veio tão desesperada quanto o previsto: "olha, Milena, agora ninguém mais vai querer casar contigo."
Assim, na lata. Categórica. Na cabeça dele, a partir daquele momento eu estaria oficialmente perdida na vida. Era o próprio dólar sendo desvalorizado. E mal sabia ele que já fazia um certo tempo...
Mas devo dizer que respeitei muito. Sabemos que se a mesma situação fosse vivenciada nos anos 30 a coisa estaria preta pro meu lado. Faz sentido. Mesmo assim, o que realmente me intriga foi ele ter mantido a preocupação paternal mesmo quase um século depois. E com tanta veemência!
Pai é assim, né? Profeta e vintage.
Diante disso, só me restou resignar-me à fatídica profecia. Segundo suas regras, assim que um namorado ou pretendente soubesse da minha deplorável situação (imagina, foi usada!), pararia imediatamente de "fazer a côrte".
O que é totalmente compreensível. Na sociedade atual, em que corpos femininos são tão "imaculados" (né, dona Melancia?), qual homem de garbo, respeito e elegância aceitaria o enlace com terras já exploradas? Só sendo deveras louco!
E esta, segundo papi, é minha triste maldição: permanecer solteira - ou melhor, "não casada" - até o fim de meus dias. Não por culpa dele, mas por força das circunstâncias. E da minha peraltice em não segurar as calças até o dia do matrimônio. Oh, Milena, quanto desgosto!
Morro de rir com esses choques de gerações. Pode ser brega, absurdo, mas eu adoro. E enquanto explico (inutilmente) para o meu pai que “os tempos são outros”, me pego pensando se o mesmo machismo daquela época ainda não existe por aqui. Sabe, escondidinho em cada termo pejorativo ou preconceituoso que escapa do túnel do tempo. Pois há quem ainda aposte no “essa é pra casar”. Há aquelas mulheres que ainda respeitam suas vontades sem perder o próprio valor. E há aqueles que seguem o meu pai e dizem que, independente do tempo, “boys will be boys”.
Enfim, mas isso é assunto pra outro post. Agora me dêem licença que vou tratar de arranjar um marido (oi Fer!), que a situação aqui está crítica.
Pelo menos um que me sustente. Sabe como é, não pega bem mulher ficar trabalhando.
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Multimídias!
Verdade seja dita: eu já fui muito fã da Mariah Carey (o post tá acabando com a minha imagem ou é impressão?) Aliás, foi ela quem, lá pelos meus 11 anos, me apresentou ao suave mundinho do R&B. Seus gritos ensurdecedores já embalaram muitos dos meus romances mal sucedidos com todos os agudos necessários. Enfim, a mulher é diva. Até que um belo dia, não sei por que cargas d'água, Miss Agudos acordou querendo fazer filme. Pronto, saiu aquela obra cinematográfica que é o Glitter. Precisava daquilo? Concordo com muitos fãs decepcionados quando dizem que ela podia ficar lá, rebolando e cantando ao lado de rappers, que já estava muito bom.O fato é que dona Mariah não está só. Assim como ela, vários cantores, atrizes e figurinhas da mídia inventam de descobrir novos talentos em si próprios (quando muitas vezes, nem talento existe). Querem cantar, dançar, explorar a arte (e o cofrinho de muitos) com performances que muitas vezes deixam a desejar. Pode dar certo - como foi com Juliette Lewis - ou pode dar numa J.Lo da vida, que não consegue largar o papel de mocinha boazinha no cinema. Discorda? Concorda? Vai lá na Snackzine que a discussão da semana é sobre isso.










16 comentários:
Os tabus e os esteriótipos nos orientam para uma saída mais conformista, sem raciocínio.
A saída autêntica causa estranhamento, mas ao mesmo tempo identificação, pois o ser humano é muito diverso.
Ser autêntico, além de filtrar as verdadeiras amizades, também é a chave da verdadeira sensualidade.
E o engraçado é que o "essa é pra casar" já não é mais o mesmo (o que nos deixa muito felizes) e ninguém é amaldiçoada pro resto da vida.
Como eu me sinto em casa aqui.
Nossa mãe.
Beijo.
Tenho medo de que meu pai reaja da mesma forma,ou até pior,mesmo ele tendo sido um Hippie doido defensor da liberdade plena.
Porque afinal,em casa de ferreiro o espeto é de pau,já dizia o ditado...
Um dia ainda crio coragem e conto pra ele.
Acho que no momento certo aparece a pessoa certaa!
Esquentaa não! rs
Beijo
@Ariana: Pessoa certa? HAha leia melhor o texto, querida. A pessoa certa já apareceu (e já foi, aliás).
Ha, as diferenças de cultura são mesmo inusitadas. Quando morava nos EUA, fiquei chocado com a idade com que as meninas iniciavam a vida sexual. Era algo em torno dos 15 anos. Impossível chegar aos 17 virgem, senão era motivo de piada na high school.
Existem também diferenças significativas dentro do Brasil. Uma menina do Rio, baseando -se na média, acharia o assunto ultrapassado, enquanto que uma de Minas se identificaria.
Por incrível que pareça, a Europa e os EUA sâo sociedades muito mais sexualizadas. Por que será que as brasileiras tem aquela fama depreciativa lá fora? Res: Bundalização.
Ps: ( Anõnimo do comentário anterior). Eu sei que não tem nada haver com o assunto, mas... Gostaria que a Blogueira apostasse no potencial do Blog e falasse das meninas, dos meninos, enfim, das famílias atingidas pela chuva em Santa Catarina, de como o Natal poderia ser voltado para eles e não para nós, sentados confortavelmente na frente do monitor.
Acredito no seu talento para levar o verdadeiro significado do natal ao seu público jovem, que é a geração que realmente importa.
Se depender de mim, a ceia deles não faltará.
Obrigado,
Marcus Levin
Milena querida a cada dia teu potencial de escrita e abordagem da palavra torna-se maior e fico muito orgulhosa de fazer parte desse grupo que te lê e acompanha. Eu fui dessas preparadas para casar virgem e assim o foi. Não me arrependo pois era a cultura daquele tempo. os conflitos ainda existem, tenho mãe e ela ainda pensa assim. Por outro lado, tenho filha, alunas e há um emaranhado de situações surpreendentes a cada dia quando se lida com ensino. Gostei do texto e vou fazer uma seleção deles para renovar meu estoque para trabalhar em sala no ano que vem. Sabes por quê? Porque tu falas a língua dessa idade linda! Um beijo e os meus parabéns, sempre!
Pais são tudo iguais. Só muda de endereço. Para sempre vamos ser a menininha dos olhos.
Biejão Mi.
Ameei seu blog
http://odiarioroxoclaro.blogspot.com/
http://extra-photos.blogspot.com/
Milena, teu blog é simplesmente genial. Keep writing.
nossa adorei o post! bem que você poderia escrever um contando como foi que voce revelou esse "pecado" ao seu pai e dando sugestões também, porque a situação aqui é complicada, mas sinto que devo contar, sabe? beijos
Se eu fosse você ja o entimava para o casório ahuahuahua
bju lora
Se eu fosse você ja o entimava para o casório ahuahuahua
bju lora
Menina, meu pai caiu na besteira d me perguntar e eu respondi a verdade. (Pq eles fazem isso?)Ele ñ disse nd ñ, mas fez uma caaraa, hahahahahahah...
Hum... "Essa eh pra casar" se aplica a todo mundo. Essa eh pra casar com Fulano, aquela com Cicrano, e por aih vai!, eu quero acreditar nisso! O negócio eh q acontece d a 'eesa eh pra casar com Fulano' casar com Beltrano...
Ou ñ aceitar ngm menos q o Fulano, ñ aceitar Beltrano e ficar soh ad infinitum (minha opção). Aih o negócio eh se virar e saber ver graça na solteirice (meu caso).
Oh, eu ñ ligo d ficar sozinha ad eternum, ñ; mas eu bem qro o meu peep toe 'no ponto' pro meus pés descansadinhos, como acabei d dizer no meu bloguinho!, hah!
Bisous
UIAOSHAISOAHSIASOAHSIAO ;) raxeei Milena! mas os pais são assim mesmo, esquecem qe as 'menininhas' deles cresceram :x HAHAHA! faze o qe né 'os tempos mudaram papai' :D
bjs! :*
Ps: adoro vim aqui ler seus posts, vou te acompanhar!
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