Inspiração


Tem uma frase bem batida da Cecília Meirelles que diz que “a vida só é possível reinventada”. Acho que ela já foi reescrita umas  milhões de vezes (nem Dona Cecília acredita), e mesmo assim, nada explica melhor os últimos 3 anos que andei vivendo.

Pra mim, São Paulo é uma cidade que exige isso. Reivenção. É quase como uma necessidade constante de buscar inspiração até nas pequenas coisas e, com elas, dar à rotina um caminho diferente. Aquele que geralmente está fora dos planos, mas que – você sabe - é o melhor pra te levar pra frente.
É isso ou você vira um poço de trabalho. E sim, esse lugar adora gente que mergulha no trabalho. Mas invariavelmente você vai ter que subir pra puxar o ar.

E não existe certo e errado quando se trata de inspiração. Tem gente que nasceu pra pintar quadro, gente apaixonada por preencher planilhas. No final das contas (e das inspirações) todo mundo está na mesma correnteza. O jeito que você lida com elas é que determina se você segue num iate ou numa canoa furada.

A minha pergunta é: o que é que te deixa livre no meio dessa bagunça toda? O que é que te inspira de verdade?


A Enfim me convidou pra um projeto de crowdwriting (algo como "escrita coletiva") para o lançamento da sua  coleção Outono-Inverno, "Asas para Inspirar". E o tema é justamente esse: inspiração.

Junto com outros blogueiros (que curtem uma poesia), escrevi um versinho sobre o tema. E vocês estão convidados para continuá-lo lá na Fanpage da Enfim junto comigo.

No final, os autores que escreverem juntos a melhor poesia de todas ganham simplesmente um voo de balão pela Capadócia, na Turquia, com acompanhante.  E convenhamos: quer inspiração melhor que uma viagem?

Sonhar alto não é privilégio dos que voam
Se, com uma ideia, eu posso sair do lugar.

(...clique aqui e continue o verso!)

Aqui vai o filme lindo da campanha da Enfim, pra vocês já irem entrando no clima. Boas inspirações e boa sorte pra gente :)  

olhinhos de boneca

Já faz um tempo que eu ouvi sobre esse novo rímel da Lancôme e andava cultivando aqui uma certa curiosidade de experimentar.  Porque eu não sei você, cara leitora, mas antes de nascer eu pulei a fila dos cílios longos. Diferente da minha irmã, que é a própria Minnie Mouse, nasci com olhinhos castanhos nem-tão-bem ornamentados.

Claro que isso nunca foi um incômodo na vida, mas se tiver como melhorar tá beleza, né? E depois de uma saga de procuras, testes e brigas com o curvex (que eu abandonei pra sempre), fiz minha lista dos rímeis eleitos e sem eles não vivo mais. Não importa se você gosta de maquiagem básica ou do tipo HEBE, a máscara sempre faz uma boa diferença. Se bem usada e bem escolhida, rende aquele olhar RAWR, de mulherão, capaz de mudar vidas (isso depende mais de vc do que do rímel, mas o segundo ajuda).

Independente do jabá, as máscaras da Lancôme são as melhores que já experimentei. Dão volume em poucas passadas, não empelotam, não ressecam e duram a eternidade. Sejamos honestas: não são baratas. Mas se você vai viajar, se conhece uma amiga que vai ou se entende do tipo de investimento que eu tô falando, arrisque sem medo. Vale muito e a mulherada concorda: a cada 4 segundos, uma máscara Lancôme Hypnôse é vendida no mundo.

Então que o lançamento chegou em casa: Hypnôse Doll Eyes.



Segundo a marca, promete ser a primeira máscar com efeito "cílios de boneca": cheinhos, separadinhos e 35% maiores. Além de ser da linha Hypnôse, com duas outras 2 lindezas que explicarei mais adiante. Olha o que eles dizem:

Sua fórmula inovadora associada ao aplicador flexível com escova convexa alcança cada cílio, até mesmo os menores. Os cílios ficam alongados, perfeitamente definidos e seu olhar mais intenso. O resultado são cílios de boneca e olhos que parecem ser maiores.

E É TUDO VERDADE.

Testei essa semana inteira e o danado não me decepcionou. Em duas camadas já dá um efeito lindo, e o olho parece realmente maior. O resultado é até mais acentuado que o do Hypnôse (que dá um volume legal) ou do Hypnôse Drama (que dá bem mais volume e é o preferido dessa vida). Mas eu curti justamente por isso. É ótima pro dia a dia e resolve muito bem em pouco tempo. Já tenho meu trio-ternurinha aqui e não troco mais.

O relógio do mundo

"Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor.
Estão dando corda ao relógio do mundo."

(Mário Quintana)

Dizem que todo poeta sente as coisas um pouquinho a mais do que todo mundo. É como se eles tivessem essa habilidade sensorial de perceber o lado mais colorido de tudo - das cores, dos toques, dos cheiros -  e sair traduzindo por aí em palavras que a gente nem sempre entende.

Com Mário Quintana não foi diferente. E ele foi muito esperto quando disse essa frase aí em cima. Ele sabia que o amor move o mundo e que, quando dois sortudos o dividem, entregam pra vida um propósito bem maior do que simplesmente "existir". Ele sabia (mesmo colocando a própria profissão em risco), que quando uma pessoa ama, também descobre como fazer poesia. Mesmo que seja uma em branco, sem palavra nenhuma, já que o amor é cheio dessas coisas não-ditas.

O que o Mário (que Mário?) não sabia é que amor não tem nada a ver com relógios. Porque amor movimenta as coisas, dá força pra elas, mas não tem nada a ver com o tempo. Isso quem faz é a saudade. O único jeito de achar amor num relógio é olhando os ponteiros:  por mais que o tempo faça os dois darem voltas, eles sempre vão se esbarrar um no outro. Sempre.

E só acredita no sempre quem acredita no resto. No amor, nas cores, nos toques, no movimento e nos ponteiros dos relógios. Eu, por algum motivo, resolvi ser uma dessas pessoas. Não virei poeta, mas resolvi abusar dos 5 sentidos que me deram. E isso nem sempre deu certo, porque o amor não gosta de gente que insiste. Ele gosta de gente que espera.
Aí eu esperei.
E esperei.
Até que o meu ponteiro se esbarrou no seu.

Eu podia explicar o que aconteceu a partir daí falando de um dia de sol, da risada de um bebê, de uma paisagem colorida ou de um relógio ganhando corda. Mas eu prefiro explicar falando da gente. Do jeito confortável que a gente passou a experimentar a vida desde que um segurou o mão do outro pra seguir viagem. Do sorriso seguro que o futuro mostra pra gente, porque quando ele aparece pra nós ele só fala de certezas. Da sensação de ter super-poderes só por constatar que, com 7 bilhões de pessoas no mundo, eu é que consigo te fazer feliz. Da paz que, mesmo sendo paz, surge fazendo barulho, provocando risada e dançando com a gente todo dia pela casa. Da cosquinha que eu sinto no meu coração por te escrever tudo isso, como se fosse meu dever, minha obrigação, fazer você também perceber que a gente é capaz de fazer tanta coisa bonita.

Porque a gente sabe fazer família. A gente sabe fazer sol em dia nublado. A gente sabe pegar um problema, dobrar e transformar em origami, pegar uma briga e transformar em curativo, pegar a mais tranquila das rotinas e transformar em movimento. Não importa pra onde, porque a gente vai junto. Não importa o sentido porque os meios nunca justificaram o fim. Aliás, pra quem acredita em pra sempre, não faz sentido nenhum acreditar no fim. E eu acredito na frase do relógio, no amor e na corda.

Eu acredito em nós dois mais do que tudo no mundo.
E ninguém no mundo vai fazer esse relógio parar.


Há dois meses, como todos esses momentos únicos que a gente vive, eu e o Di estávamos passeando por Paris. Por sorte, nosso aniversário de namoro caiu bem enquanto estávamos lá, e como felicidade pouca é bobagem, resolvemos comemorar em um restaurante dentro da Torre Eiffel. Se eu achava que sabia o que era frio na barriga, estava enganada. E se eu achava que já estava tendo o momento mais incrível da minha vida, também me enganei. Foi depois do jantar que paramos na frente da torre, pra assistí-la piscando. E tudo o que eu assisti foi o homem da minha vida se ajoelhar na minha frente e perguntar, do jeito mais carinhoso do mundo, se eu aceitava me casar com ele.
Acho mesmo que amor de verdade só existe pra quem acredita nele. E quando ele resolve existir, se prepara que ele vem com tudo.

Agora que sou mãe

Eu acho que tinha uns 10 anos quando comecei um processo intenso de encheção-de-saco do meu pai. Lotava o armário de cartas, choramingava, voltava sempre no mesmo assunto. Um nobre assunto, aliás: eu queria um cachorro. Aliás, eu precisava de um. Quando eu era bebê tivemos um pastor alemão lindo, mas ora, eu era bebê. Aí não conta.

Então que, já com 10 anos, eu sabia muita coisa da vida e queria um cachorro pra chamar de meu. Pra fazer que nem na propaganda e ir buscar o freesbe pra mim na praia. Era como se tivesse um buraquinho no formato de um cachorro aqui dentro e, poxa, meu pai precisava preencher aquilo. Desde pequena eu tenho essa coisa de me apegar numa vontade e nessa não foi diferente. Se minha mãe queria criar uma menina determinada, surpresa: criou um monstro.

Eis que o monstro convenceu a família. E em vez do cachorro, veio outro monstrinho: um poodle que não se deixava tocar, passear, conviver. Mordia todo mundo e trouxe uns anos tensos na nossa vida. Mas eu o amava, mesmo bravo. Mesmo sem buscar o freesbe na praia. E anos depois, veio a Meg. Uma cocker spaniel completamente doce. Ela tem 9 anos e está com a família até hoje. E isso é lindo, isso é fofo.
Mas isso quer dizer que ela também está longe.
 
Eu não preciso repetir aqui quanto perrengue me causa a palavra LONGE. Mas o fato é que me causou, também, o retorno à dependência canina. Não sei se foi a necessidade de mais fofura na vida ou o velho sonho do freesbe na praia. Diagnosticada a cachorrite, tudo o que pude fazer foi dividi-la com o namorado/noivo/companheiro de lar. E, amigos, ele só ganhou essas três denominações fantásticas porque, entre outras coisas, ele também ama cachorros.


O resultado disso tudo?


O Jimmy é um Spitz Alemão (ou Lulu da Pomerânia) que já tem 4 meses de idade. É também o melhor presente de aniversário que eu já ganhei. Chegou lá em casa todo bebê, todo perdido e hoje já mudou nossa rotina completamente: de repente me vejo coletando jornal velho pela agência, cheia de pelos na calça, com marcas de mordida na mão, todos os chinelos destruídos... e feliz da vida por isso.

Desnecesário dizer que ele é a coisa mais linda do mundo. Ou falar do bem que faz encontrar essa coisinha em casa todo dia. É engraçado pensar em como o Jimmy trouxe pra mim e pro Di essa sensação de "família". É uma família nova, pequena, mas no fim do dia somos nós três nos cuidando, dividindo amor e crescendo juntos. Porque no fim das contas, no quesito família a gente também é filhote.

mais fortinhos e queridos a cada dia! :)

 O Jimmy: 

  • Tem uma educação complexa. Sabe sentar, dar a pata e fazer necessidades no lugar. Ao mesmo tempo que rouba tudo que cair no chão, estraga o carpete e destrói sandálias-caras-favoritas.
  • Tem um apreço maluco por entrar em buracos. Em baixo de armários, debaixo da cama, atrás do sofá. O que não quer dizer que ele saiba sair de lá depois. 
  • Uma vez compramos o CD "relaxing your dog", com músicas pra ele relaxar durante viagens de carro. 1 - ele vomitou; 2 - eu dormi como um bebê.
  • Adora brincar com água. Bota o focinho no pote e faz bolhas. Em seguida, bota as patas. E obviamente sai molhando a casa inteira depois.
  •  Já passei 3 dias com uma marca vermelha no nariz. Morder o nariz de surpresa é o "bom dia" carinhoso dele.
  • É irmão do Willy, outro Spitz lindo e "filho" de amigos nossos. O reencontro promete ser televisionado no quadro "de volta para minha terra".
Mas o melhor é que:

Ele não tem dia ruim. Não tem mau humor e nem faz ideia do que é maldade. Ele só tem amor pra entregar. Só isso. É como se ele simplesmente ignorasse as coisas chatas da vida e escolhesse viver só a parte boa. Todo cachorro é assim e isso me faz achar, de verdade, que um Lulu da Pomerânia tá aí sabendo da vida muito melhor do que eu. Ok, ele pode morder o tapete, destruir móveis e não obedecer comandos. Mas ele entende bem o que é que importa na vida. Ele sabe. E toda vez que eu abro a porta de casa voltando do trabalho ele me conta esse segredo. Ele pula no meu pé como se não me visse há mais de 10 anos. Ele tá pouco ligando se choveu, se a conta tá no vermelho, se o trabalho foi difícil ou se levou bronca de manhã. Naquela hora a gente representa tanto, e se faz tão bem, que nada mais importa. E aliás, alguma coisa além desse tipo de amor importa?

 Além disso aqui, não. Nem o tal do freesbe.