A incrível mulher que encolheu

quarta-feira, 14 de outubro de 2009 |

Ah, essa ideia maluca que é se arriscar.

Jogar tudo pro alto, bancar a aventureira, esquecer propositalmente que causa e consequência andam juntas.

Pois pra quem sabe cismar, não há amanhã. Não existem bloqueios ou dificuldades. Tudo o que se tem é só aquela vontade enorme, grande o suficiente pra abrir o caminho que for necessário para realizar o seu desejo inconsequente.
Acotovelando previsões ou qualquer tipo de cautela, você o abre. E é por ele que você caminha.

E corre, e cai, e tropeça mais um milhão de vezes.

Quando vê, já foram 4 meses.
Cento e oitenta dias na terra da garoa. Vivendo, correndo, se orgulhando ou lembrando da praia com aperto no peito.

E quem é que percebe a garoa? Quem é que parou pra falar da praia? Quem sentou para olhar a paisagem quando..

Quando vê, já passou muito mais que isso.
Se São Paulo fosse alguém pra conversar, ela seria do tipo de pessoa que não escuta. Que interrompe e quer falar antes, quer impor ideias. E desse jeito imperativo ela imprime um fast-foward no meio do seu calendário. Com ele vem a culpa, vem a saudade, vem o medo. E vão os dias, vai você.

“Você pediu por isso”

Pedi. Pedi alto e teve até briga. Pedi pra protagonizar a retirante que veio do Sul procurar oportunidade numa terra em que o que mais tem é gente de fora. Pedi pra ser a incrível mulher que encolheu, num lugar onde tudo é grande demais pra se assimilar. Pedi e vou conseguindo, porque perseverança não é lá coisa que se subestime.
Nem que seja fácil de manter.

Mas, ainda mais perdida, eu adoro o resultado.

Adoro saber que sumi tanto porque tanta mudança aconteceu. Adoro saber que fiz mais um aniversário quando parecia que eu já completava outros três. E adoro notar que certas convicções, antes tão firmes, hoje não passam de poeira (ou de um bom tapa na cara).

Depois de 4 meses, a minha mudança está só começando. E ser uma mulher encolhida só me faz acreditar nas possibilidades de tudo que ainda vem.

Um dia, a mola também foi assim.

Já pra cozinha!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009 |


Dizem por aí que uma das melhores maneiras de fisgar aquele gachénho que faz seu coração balançar continua sendo pelo estômago. Fato. Mas então o que acontece quando os apaixonados são, digamos, nulos no fogão? Pois esse é justamente o retrato do casal aqui. Muito amor regado à fast-food, minha gente! Eu sei, é uma pouca vergonha, mas assumo: nossa briga com a cozinha vem de longa data.

Com tudo isso vocês podem imaginar a alegria que sentimos quando, em meio à pacotes de miojo, eu e o Fernando recebemos uma caixa linda da Close up e o convite de um curso de culinária com sarau gastronômico. Uma verdadeira luz no fim da panela! E o melhor: com a chef Morena Leite, internacionalmente conhecida por fazer pratos que, como nossas mãe diriam, “é de fechar as poRtas!”.


Então, numa noite dessas, nós e outros alunos estávamos bastante animados numa cozinha muito aconchegante do Restaurante Capim Limão, no bairro Jardins, aqui em São Paulo. Enquanto uma música gostosa tocava de fundo, todo mundo só prestava atenção na receita que a chef preparava com a facilidade de uma criança fazendo bolinhos de areia na praia.


Assim, enquanto ela fazia malabarismos com a abobrinha, meu lado “rainha do ovo frito” só duvidava: “aham, tá fácil. Mas qual não foi a surpresa quando nos vi cortando salsinha, temperando o risoto, trazendo à tona o nosso lado Ofélia? Foi lindo! E com o Fernando do lado, a coisa fluía muito melhor. A gente conversava, ria, misturava, juntava todo tipo de ingrediente e quando vimos, tava lá: um prato que – literalmente – deixava qualquer um de boca aberta! Depois de tudo pronto, claro, a melhor parte foi experimentar.


Se a gente for ver, namoro gostoso é isso mesmo: algo que a gente vai fazendo junto, criando junto e que, com momentos assim, pode ficar ainda melhor. Depois da revolução do avental, até nos animamos a tirar a panela do banho-maria e explorar o caderninho de receitas. Porque, sabem, esse negócio de “temperar a relação” não tem tempero à tôa. E se depender da nossa, já descobrimos a pimenta.


Caixa da Close up e Immaginare com 2 câmeras, 1 champagne e nosso convite pra cozinha!






Mais fotos no Flickr:


Nós dois, outros casais e outras experiências legais (inclusive pra você participar) no site do Close up Triple Max:



Pai de blogueira

domingo, 16 de agosto de 2009 |

Ok, o Dia dos Pais foi há exatamente uma semana. Em tempos internéticos isso provavelmente equivale a quase uma ERA. Mas isso eu tinha que colocar aqui, tinha que postar. Pra resumir, meu dia dos pais foi (tirando a distância), bastante normal. Teve saudade, amor via webcam e texto de homenagem. O legal mesmo foi que dessa vez teve uma surpresa: papai Boni dando entrevista pro Portal Vírgula!

Clique pra ler a matéria:
Filhota blogueira e papai modernoso

Aí foi quando trocamos os papéis. Quem ficou toda bobona só de olhar fui eu. A matéria do site é simples, os pais de blogueiros deram depoimentos curtos. Mas só de ver meu pai marcando presença (e o depoimento FOFO dele), já me derreti. O dia é dos pais, mas quem ganha é a filha. Felicidade é isso, né não?

O depoimento dele. Orgulho é você, pai.

Pai de menina.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009 |

Quem lê meu singelo blog sabe: falar do meu pai nunca foi tarefa fácil. Mais difícil que isso, era aceitar diariamente minha relação conturbada com o véio. Sendo assim, em todo mês de agosto eu saía por aí questionando comercial de dia dos pais mais do que padre em tempo de inquisição. Achava tudo aquilo uma besteira, achava que ficava longe da realidade. Até que fui eu quem ficou longe. E, por incrível que pareça, aquela realidade questionável ficou perto.

Meu pai veio me visitar dia desses. Pela primeira vez, eu que abri a minha casa pra ele. Eu que perguntei se ele estava com fome. Eu que pedi pra que ele ficasse à vontade. Ambos não pareciam entender nada do que estava acontecendo. Mas, cá pra nós, finalmente tinha acontecido: a gente se enxergou. Ele como pai, eu como filha. Uma constatação óbvia, mas totalmente digna dos antigos comerciais mentirosos. Totalmente real.

E assim, de repente,como essas coisas que acontecem quando a gente tá vendo Faustão no domingo, eu vi o homem engraçadinho que eu meu pai é. Vi o jeito como ele insiste em perguntar 500 vezes se eu botei o guarda-chuva na bolsa; vi os trocadilhos bobinhos que ele faz só pra me fazer rir à toa; vi graça na insistência dele em ser um pai muito moderno, internético e, finalmente, presente. Pra mim, só pra mim.

Depois de ver tanta coisa, o melhro foi ver que era possível. Que esse amor não só existia, como também émaior do que eu imaginava. Que, para as tantas histórias que ouvi por aí de pais distantes, finais felizes não são exclusivos de comerciais românticos. Muito menos dos começos. E apesar de já fazer tanto tempo, a nossa começa agora.
------------------------------------------------------------


Dia dos pais tá aí e a dica é boa: a Fast Shop está fazendo um concurso muito bacana pelo Twitter que vai alegrar a vida do seu pai (se fosse o meu, morria de emoção). Pra participar, é só responder a pergunta "O que você faria para tirar seu pai da frente da sua nova TV LCD LG?” como reply direto para o Twitter @Fast_Shop. Mas corre, meu filho, que você só tem até às 17 horas dessa sexta-feira (dia 7) para participar!

A melhor resposta leva 1 TV LCD 32”. Se o @Fast_Shop atingir 11.000 seguidores, o segundo colocado também ganha. Se você é tuiteiro e tem um pai modernético como o meu, manda bala e mostre que valeu à pena ficar tanto tempo na internet :)

Perdas e ganhos

segunda-feira, 6 de julho de 2009 |


Pra mim ele virou nada mais do que um pão de fôrma embolorado. De fôrma por suas tentativas esnobes de se adequar a um sistema patético; embolorado porque acredito que é assim que as pessoas ficam quando se tornam frias, amargas e verdes. 

Essa é mais uma história sobre expectativas e perdas (não, não é sobre padarias). Sobre gente, que assim como eu, também entrega sempre mais do que recebe. E que, com o saldo negativo na mão, tenta entender como é que não adivinhou, como é que se permitia. Como é que, mais uma vez, isso importa tanto?

Como um bom delivery, nosso coração não faz entregas apenas nos romances. Não, ele também atua na amizade. “Uma nova e ampla área pra gente se ferrar”. Foi isso que me veio à cabeça quando uma conhecida pediu que eu escrevesse sobre amigos. E o que eu poderia dizer, além de que sou a mesma neurótica dos amores, exigindo presença e carinho constantes?

Bom, hoje posso dizer que o desprendimento é meu mais novo analgésico. Mas nem sempre foi assim. Como quando eu te vi mudar tanto. De amigo companheiro, passava a ser superficial e estranho. E eu passava a ser um serzinho torturado, ofendido e inconformado. Lutei, mas me afastei, porque da dor a gente se afasta. Ou pelo menos, deveria se afastar.

E aí a gente chega naquele ponto onde acredita que o rumo que a vida tomou foi o mais certo: “é melhor assim”. Quando, no fundo, eu me contorcia por não poder controlar tempo, espaço e caráter. Por ver, impotente, você se tornar algo tão idiota e distante do que um dia foi. Se é que um dia foi.  

Olha, até confesso: em cada relacionamento a reciprocidade sempre foi uma medida categorizada e classificada exclusivamente por mim. Injusto? Muito. Estúpido? Demais. Mas adivinhe quem sempre acabava perdendo o jogo?

Um jogo. Expectativa e realidade são como um jogo vicioso onde quem ganha é sempre o azar. Azar de quem espera sempre o máximo das pessoas e não reconhece sorte do mínimo gesto de retorno. De quem não sabe equilibrar perdas e ganhos. Azar de quem nasceu carente assim.

No fim das contas, em qualquer relacionamento, a melhor parte do que se ganha é justamente o que a gente não pediu. Como um brinde inesperado que te faça sentir "cliente especial". Mas e quando a gente não recebe, é errado achar que mesmo assim temos direito?

E eu sinto a sua falta sem querer sentir. Me culpo, mas só depois de soterrar você em erros maiores. E eu sei, mais uma vez, que “é melhor assim”. Ainda que essa decepção machuque tanto. Ainda que alguém me diga que se não volta, é porque nunca tive- se é que eu tive.

Antes que eu me despeça da culpa (a nossa) achando que "algumas pessoas simplesmente não se importam”, esqueço a saudade, finjo independência e me consolo: intensidade continua sendo o melhor (e o pior) em mim. 


Imagem: FFFound

À mão armada

sexta-feira, 19 de junho de 2009 |


Olha, longe de mim falar sobre isso. Há quem diga – e eu concordo – que falar sobre o assunto atrai justamente esse tipo de coisa. Fora que, toda a atmosfera de amor e vídeos bregas que andou reinando por aqui nada tem a ver com um título frio desses.


Mas me diga como, COMO ignorar o dito cujo, quando só faltou colocarem uma arma na minha mala  assim que anunciei o lugar onde estaria minha nova morada? São Paulo, querida? Pois é lá que mora o perigo!


E aqui estamos, perigo e eu, convivendo juntos. Aprendendo juntos. Porque se tem alguém que entende de propaganda, é ele. Veja bem: o perigo pode até não ser tão grande, mas ele se venderá como algo enorme. Ele comprará todos os espaços do horário nobre. Estará na Internet, no jornal, muitas vezes até de graça. Por fim, acabará numa ligação diária da minha mãe que, com um tom preocupado, só vai dormir se eu disser que está tudo bem.


E o perigo convence. Ele define o que eu levo na bolsa e o que interpretar do comportamento de estranhos. Ele escolhe os amigos que terão coragem de me visitar nas férias. Ele manda na cidade e você que se vire para conviver com ele.


Quem mora aqui, já não liga muito. Ouve o Datena gritando com bandido e come pão com manteiga dando até risada (mas mantém o olho aberto, porque é bom não bobear). Já quem é de fora, como eu, às vezes se vê se adequando às regras de uma nova tribo, com seus costumes e manejos pra se dar bem (oi praia, saudades de você!).


O fato é que pouco se pode fazer diante de algo assim, onipresente. Talvez torcer, se cuidar, e contar com a oração materna pra que nada aconteça (o que, segundo meu dentista, é tão provável quanto ganhar na megasena). Na minha opinião, o medo também é uma arma, e dessas a mala veio cheia. Minha única preocupação diária é perceber quem é que ela atinge.



Eu sou uma namorada brega!

segunda-feira, 15 de junho de 2009 |



Mas toda apaixonada, também! :)

Hoje é nosso primeiro dia aqui, morando junto e tudo mais.
Se depender de amor, já deu tudo certo.

Longe

quarta-feira, 10 de junho de 2009 |

Depois de 24 anos de convivência, era de se esperar que o clima ficasse mesmo tenso depois que a mala de viagem passou a ser usada com certa frequência.


E ficou. Porque convenhamos, no começo foram visitas esporádicas, um evento aqui, outro lá. Depois surgiu o freela de dois meses, que trouxe saudade e certo medo do futuro. Daí pra frente a coisa foi mudando. namorado foi mudando. Quando a gente viu, eu também já tinha data pra mudar pra São Paulo – e dessa vez, pra ir de vez.


Se eu nascesse em uma ninhada de tartarugas eu não ligaria. Se fosse um filhote de leão, não daria a mínima. Mas sendo humana e dramática que sou, estou há meses digerindo essa história de sair de casa. De morar a muitos estados de distância. De depender do telefone pra ter contato com gente que, pela minha vida toda, esteve sob o mesmo teto que eu.


E vou te dizer, sou muito dependente. Tenho uma relação muito próxima com os meus pais e com a risada cura-tudo da minha mãe. Acho lindo quem tem a família como base. Mas pra mim, família também fica no topo. E por mais bonitas e dignas de comercial de margarina que essas idéias pareçam, em horas como essas é que a margarina azeda.


Pois lá vai ela morar com o namorado. Abandonar seu quarto bagunçado e ligar pra mãe pra saber como se faz arroz. Pra saber como se faz pra lavar cortinas. Saber como se faz pra crescer nesse mundo maluco. 


Vinte e quatro anos na cara e cá estou eu precisando de colo. Um colo onde meu tamanho já não cabe, nem o das minhas ambições. Colinho que também ofereço pra quem, de repente, vê aquelas antigas perninas gordinhas andando para uma direção contrária à de casa.

E tudo pode ser mesmo contrário, menos o amor que tenho por eles. Um amor que, de tão grande, passou a ser interestadual. E que vai fazer cada um deles se mudar junto comigo. Rumos são só rumos. Ter uma família pra voltar é o que me faz ir. Sem nunca sair dela.